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A realidade do ensino por meio de cursos hoje é simples: você faz o que quiser, quando quiser, de onde quiser e tanto faz quem você é. Mas, nesse contexto, que garantia de qualidade temos para a educação?

Os modelos de ensino tradicionais atuais são insuficientes para dar conta dos temas e desafios que surgem. Por múltiplas razões: cursos tradicionais como os universitários de longa duração são pouco adaptados ao atual mundo em ebulição e cursos profissionalizantes são pouco adaptados à economia atual e ao mercado de trabalho global. Esse modelo tradicional também está desfasado em relação a essa nova geração nascida na época do digital.

A educação na internet permite um ensino mais flexível, mais acessível em termos de tempo, de preço e de alcance, permitindo que cada indivíduo desenvolva as competências que ele estimar necessárias.

E isso acontece graças aos MOOC: Massive Open Online Course, cursos online abertos às massas, que Clayton Christensen, professor em Harvard, apresenta como sendo o principal exemplo de tecnologia de ruptura que vai mudar o mundo da educação. Os MOOC, introduzidos com essa nomenclatura em 2008, começaram a se tornar muito populares a partir de 2012.

Ministradas por empresas, ou por  fundações, os MOOC têm em comum:

1. A massa: são cursos de grande escala. A Arth Informática, escola especializada em cursos de informática online, nos seis anos que se seguiram ao seu lançamento, em 2008, teve milhares de inscrições. Seu carro chefe é o Curso de Tecnico em Informatica a Distancia.

2. A abertura: geralmente muito baratos, todo mundo pode participar. Quasenenhum perfil ou experiência são exigidos. Somente o acesso a um computador ou telefone com internet.

3. Serviço à distância: todos são online, o que garante uma audiência em qualquer parte do País.

Além de disponibilizar o melhor conteúdo das melhores escolas a preços populares, o desafio que eles enfrentam é o de usar a tecnologia e suas ferramentas para oferecer um ensino capaz de criar novas oportunidades e novos critérios de qualidade.

A proposta é a de trabalhar com um modelo no qual o aluno é ativo e não passivo – principal crítica feita ao modelo tradicional de ensino – e se organiza em comunidade de estudantes. Nele, é possível constituir redes de interações entre estudantes, entre estudantes e professores, criar debates, conteúdo, resolver problemas coletivamente e co-criar a partir de todas as partes do mundo, explorando as capacidades da internet: de arquivos, de ferramentas colaborativas, de terreno de comunidade, entre outras.

O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS) experimentou este modelo durante o curso CopyrightX, sobre direito autoral, disponível por meio da plataforma edX. Além do fórum estabelecido para que todos os inscritos do curso pudessem interagir entre si e com o corpo docente, foi formado um pequeno grupo virtual de estudos com interações semanais através de uma plataforma ao vivo e online, além de um grupo de interações permanentes no Facebook.

Seja como for, os desafios são grandes e os mais pessimistas questionam a realidade e a qualidade de um ensino em tal escala. Outro problema que deve ser encarado é a evasão de alunos, ainda alta: menos de 10% dos inscritos vão até o final da formação e passam.

De fato, nesses cursos existem principalmente dois tipos de alunos: aquele que faz o curso porque gosta de aprender e aquele que faz o curso por razões profissionais. O desafio dos MOOC é serem flexíveis e adaptados aos dois tipos de perfis. Logo, não é somente uma questão de educação, mas também de animação e de redes.

Estamos vivendo o momento da democratização da educação e a conclusão a que chegamos é que as MOOC são a esperança de uma educação nova, que rompe com a prisão dos conhecimentos entre as paredes universitárias: pode ser o fim das fronteiras geográficas e sociais, a adoção de um modelo de aprendizagem ao longo da vida, de redes intelectuais e pessoais estendidas, ondas de inovação e tantas outras oportunidades e qualidades.